No Blog realizo o desejo de comunicar e de escrever coisas que vejo, sinto, percebo, e quem sabe possam contribuir para outras reflexões... O Blog está incorporado ao meu cotidiano. Procuro ser fiel à Vida que recebi e usufruo da Suprema Criação.
Com este canto te chamo/
Porque dependo de ti./
Quero encontrar um diamante/
Sei que ele existe e onde está./
Não me acanho de pedir ajuda/
Sei que sozinho nunca vou poder achar,/
Mas desde logo advirto,/
É para repartir com todos./
Traz a ternura que escondes/ machucada no teu peito,/
Eu levo um resto de infância/ que meu coração guardou./
Vamos precisar de fachos para as veredas da noite,/
Que oculta e às vezes defende o diamante./
Vamos juntos, traz toda a luz que tiveres,/
Não te esqueças do arco-íris que escondestes no porão./
Eu ponho a minha poronga, de uso na selva,/
É uma luz que se aconchega na sombra./
Não vale desanimar, nem preferir os atalhos sedutores,/
Que nos perdem, para chegar mais depressa./
Vamos achar o diamante para repartir com todos,/
Mesmo com quem não quis vir ajudar, pobre de sonhos,/com quem preferiu ficar sozinhobordando de ouro seu umbigo engelhado,/
mesmo com quem se fez cego ou se encolheu na vergonha de aparecer procurando,/
com quem foi indiferente e zombou das nossas mãos/ enfadigadas na busca,/
mas também com quem tem medo do diamante e seu poder/
e até mesmo com quem desconfia que ele existe,/
e existe,/
o diamante se constrói quando procuramos juntos,/
no meio da nossa vida,/
e cresce, límpido cresce,/
na intenção de repartir o que chamamos AMOR./
*Para repartir com todos, de Thiago de Mello*
Nesse tempo em que partilhar se confunde com comprar/consumir, lembrei deste texto tão significativo, e que tem muito a nos dizer.
Vai para todos os amigos, com quem compartilho pensamentos, idéias e atos.
“Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção....” Art. XIII
Nesse dia dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não vou falar das crianças perambulando nas ruas, da saúde para as diferentes camadas sociais, nem das escolas de péssima qualidade, onde falta de tudo.... Gostaria de falar de outro direito também abandonado...
.... Andar, caminhar, correr são movimentos tão primitivos quanto a existência humana. O ato delocomover-se uma necessidade básica da pessoa, essencial para sua sobrevivência, crescimento e manutenção.
Os profissionais da saúde não se cansam de orientar as populações para caminhadas e andadas. A propaganda incita ao turismo. Tudo diz para o cidadão se mexer, andar, caminhar, sair do ninho. E no entanto,quando se observa as condições das cidades, onde os lugares reservados para os pedestres foram abandonados, descuidados, desprezados, fica-se a pensar.
Conversando com amigos escutei relatos como este:
Em viagem, fora do Brasil, Maria e Silvana puderam vivenciar o andar em calçadas decentes, planas, sem buracos, sem reentrâncias, sem degraus. Cidades pequenas ou grandes, elas puderam andar sem a preocupação de uma queda, e isso fez uma grande diferença na vida das duas mulheres. Contaram que perceberam algo sutil, mas de grande importância na sua rotina de cidadãs: podiam caminhar e ao mesmo tempo prestar atenção à paisagem, à bolsa, aos lugares por aonde iam passando, podiam respirar. Segundo elas, essa percepção lhes deu a noção de quanto stress representa o maltrato das vias públicas entre nós. Sem ameaça à segurança, o foco era CAMINHAR, não a batalha pra se livrar dos buracos das calçadas.
Também a história de Francisca, que de uma só queda, enquanto andava na sua própria rua, em João Pessoa, foi direto pro hospital do trauma. Fui visitá-la, os médicos num corre-corre pra socorrer tantos acidentes. Ela sobreviveu apenas uma semana, com a fratura do fêmur e da bacia, revoltante ver uma pessoa lúcida e forte, se extinguir num escorrego de rua.
Como os relatos e viagens servem também para o aprendizado, observemos como são, aqui, no nosso lindo país, as calçadas e vias públicas, onde cada proprietário faz sua calçada como quer,com reentrâncias e “degraus” no meio da calçada, são um verdadeiro absurdo. Não falo dos calçadões do Leme ao Leblon, no Rio de Janeiro, onde o direito de acesso está garantido, falo das calçadas dos bairros e periferias, mesmo os de classe média, miseravelmente construídas, mal mantidas, feitas em qualquer nível, umas altas, outras baixas, com buracos de todos os tamanhos, quebradas, tampas de esgotos fora do lugar, verdadeiras armadilhas para os transeuntes. Falo da falta de legislação adequada a essa realidade urbana, da falta de fiscalização, da falta de prioridade ao direito básico.
Num mundo onde a ciência cria condições para a longevidade, onde o número e percentual de idosos crescem, a administração das cidades não atenta para o direito de locomoção. Os idosos, que já não têm a acuidade visual dos jovens, caminham preocupados em não cair, se desdobram em prestar atenção onde pisam. Desdobram-se em atenções, para não ir encher os hospitais do trauma, abarrotados que estão com vítimas de quedas, quebra de fêmur e de bacia...
As mulheres com seus bebês transitam mal, têm que ir para o asfalto, livrando-se das calçadas, se lançam no perigo maior, o do trânsito.
O direito ao acesso está restrito aoscidadãos enquanto estão em veículos. Logo que se vê nas calçadas das cidades, o direito cessa. Por quê? E vem a cantoria ao carro próprio, que leva os orçamentos domésticos aos píncaros! Será que andar vai virar um crime?
Além do grau de tensão estressante,multiplica-se nos lares a agonia onde há uma vítima de quedas, devido aburacos de rua, cuja vida será imobilizada, alterando por completo seu próprio direito à vida.
Como pode continuar tal descalabro em relação a esse direito fundamental, o direito à locomoção, em condições humanamente aceitáveis?
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
No dia 10 de dezembro, data em que a Declaração Universal dos Direitos do Homem faz 60 anos, está rolando uma blogagem coletiva sobre o assunto promovida pelo Sam, do Fênix Ad Aeternum, e conta, inclusive, com o apoio da ONU, já que os bloggers que participarem poderão usar o selo oficial que comemora o aniversário da declaração.
As regras são simples: ir ao blog do Sam, anunciar sua participação, pegar o selo e no dia 10 postar sobre direitos humanos.Vamos todos participar?
A CONTADORA DE HISTÓRIASEra uma vez /
à beira de um rio... /
nas noites, estrelas mil! /
Maria contava /
histórias de príncipes /
dragões e rainhas /
castelos de fantasia. /
Era uma vez Maria /
de fala encantada /
e coração de bonança...
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Texto: Ceci /Foto (detalhe): Claire Jean /Cerâmica : CeciHomenagem aos contadores que alimentam a fantasia e criatividade, com sua simplicidade e alegria.
O casal europeu vivia aflito, não era possível procriar, e decidiram adotar uma criança, ou melhor queriam duas.
Fizeram um contato com uma instituição brasileira regular, e conseguiram um primeiro menino, de origem muito humilde, de uma favela. O menino negro M foi acolhido com amor grande, e após um ano e pouco, o casal fez nova viagem, para buscar o segundo filho. Outro menino, também negro, que gostou de ter um irmão mais novo.
Tanta dedicação, e preparação do casal para a função de pais, resultou numa acolhida perfeita, escolha de escolas de boa qualidade, porém sem luxo. E muita atenção no novo lar, carinho, sinceridade. Tudo que eles precisavam pra crescer sadios. Como toda criança, nada diferente dos filhos biológicos.Atenção e limites. //////
Passaram-se os anos. Conheci de perto a família. Sou testemunha.
A madrinha do menino M se tornou uma espécie de segunda mãe, sobretudo quando começou a puberdade. Com a madrinha brasileira completava um circuito de confiança em si mesmo, toda vez que as dúvidas o assaltavam, deixando sem vontade de viver. A mãe aprendeu a falar português para que o menino não esquecesse a língua materna.
Como acontece na humanidade, mais tarde o casal enfrentou crise conjugal, que levou ao divórcio. Os meninos se mantiveram firmes ao lado da mãe, nos momentos mais difíceis. Também brigaram com o pai, como toda criança o faria. Queriam os dois juntos pra sempre. Tal e qual os que nasceram de minha barriga.
Então, veio outro momento difícil:M e R conversaram muito com suas madrinhas, com sua mãe, pediram pra conhecer sua origem real. Os meninos tinham cada um seu coração suspenso. Viviam fantasias, M dormia mal, as interrogações pareciam grandes leões que enjaulavam seu coração de menino. Rtinha vontade de ser rico, de viajar, de percorrer o mundo. Mas não gostava de estudar, parecia preso em notas débeis. Sonâmbulo em noites frias, agonias sem fim. Precisava desse passaporte para o mundo.
A mãe então programou uma longa viagem, que os meninos pudessem visitar o país e lugar de onde saíram, contatar sua origem. A mãe tinha as informações, e soube percorrer tranqüilamente as veredas que os levaram de volta à favela, com a opção de aí permanecer caso fosse sua decisão. A mãe de coração livre para amar o filho de qualquer jeito. Amor plural. Jamais ela afirmara qualquer sinal de rejeição da mãe natural.
A questão social fora o motivo. M perdera a mãe ao nascer, ficara sozinho.
R fazia parte de uma longa história, em que nem o pai ele poderia saber ao certo quem era. Mas poderia ver a mãe, uma batalhadora das noites de algum lugar desse país.
No retorno ao lar, os meninos se aquietaram, começaram um novo circuito de definições, de escolhas. Vieram os namoros, as paixões, as descobertas sexuais.
Atualmente, ambos estão independentes, cada um em país diferente, senhores de seus destinos, e no contato com os pais que os adotaram plenamente, praticam o amor, o respeito, a liberdade, a sinceridade e grande nobreza.
Recentemente, M teve uma paixão maluca, a namorada engravidou e ele se viu na dúvida quanto à validade de um casamento não desejado pelos dois jovens. Prontamente, M assumiu a criança, tomou todas as providências para que no futuro possa desempenhar o papel de pai, a contragosto da mãe-menina, em jogo de chantagem, ameaça e destempero. Acontece ali como por aqui. Imaturidade gerando vidas.
A mãe continua amadurecendo, em contato com os dois amados filhos de seu coração. Amadurecendo e orientando quando alguma insegurança ameaça o bem estar dos filhos.
Feliz e nobre adoção!
"Se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de fazer! Nicholas Winton
Na passagem do aniversário do poeta, um de seus belos poemas: /
Além da Terra, além do Céu, /
no trampolim do sem-fim das estrelas, /
no rastro dos astros, /
na magnólia das nebulosas /
Além, muito além do sistema solar, /
até onde alcançam o pensamento e o coração, /
vamos! /
vamos conjugar /
o verbo fundamental essencial, /
o verbo transcendente, acima das gramáticas /
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar, /
o verbo pluriamar, /
razão de ser e de viver. /
Carlos Drummond de Andrade (nascido em. Itabira, 31 de Outubro de 1902
— faleceu no. Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 1987). *******************
AMIGOS, ESTE É UM CONVITE, EM EXTENSÃO AO GESTO DE DÁCIO E GEÓRGIA PARA UMA BLOGAGEM COLETIVA ENTRE 1o e 15 DE NOVEMBRO, COM O TEMA ADOÇÃO. APROVEITEMOS O MOMENTO, PARA APROFUNDAR O ASSUNTO, QUE A TODOS NÓS HUMANOS TOCA E SENSIBILIZA. O SELO ESTÁ NO BLOG
Chega mais e no Saia Justa. Vamos fazer nossa parte somando com amigos, na reflexão e ação.