domingo, 9 de novembro de 2008

ADOÇÃO: UM ATO DE NOBREZA

O casal europeu vivia aflito, não era possível procriar, e decidiram adotar uma criança, ou melhor queriam duas.

Fizeram um contato com uma instituição brasileira regular, e conseguiram um primeiro menino, de origem muito humilde, de uma favela. O menino negro M foi acolhido com amor grande, e após um ano e pouco, o casal fez nova viagem, para buscar o segundo filho. Outro menino, também negro, que gostou de ter um irmão mais novo.

Tanta dedicação, e preparação do casal para a função de pais, resultou numa acolhida perfeita, escolha de escolas de boa qualidade, porém sem luxo. E muita atenção no novo lar, carinho, sinceridade. Tudo que eles precisavam pra crescer sadios. Como toda criança, nada diferente dos filhos biológicos. Atenção e limites. //////

Passaram-se os anos. Conheci de perto a família. Sou testemunha.

A madrinha do menino M se tornou uma espécie de segunda mãe, sobretudo quando começou a puberdade. Com a madrinha brasileira completava um circuito de confiança em si mesmo, toda vez que as dúvidas o assaltavam, deixando sem vontade de viver. A mãe aprendeu a falar português para que o menino não esquecesse a língua materna.

Como acontece na humanidade, mais tarde o casal enfrentou crise conjugal, que levou ao divórcio. Os meninos se mantiveram firmes ao lado da mãe, nos momentos mais difíceis. Também brigaram com o pai, como toda criança o faria. Queriam os dois juntos pra sempre. Tal e qual os que nasceram de minha barriga.

Então, veio outro momento difícil: M e R conversaram muito com suas madrinhas, com sua mãe, pediram pra conhecer sua origem real. Os meninos tinham cada um seu coração suspenso. Viviam fantasias, M dormia mal, as interrogações pareciam grandes leões que enjaulavam seu coração de menino. R tinha vontade de ser rico, de viajar, de percorrer o mundo. Mas não gostava de estudar, parecia preso em notas débeis. Sonâmbulo em noites frias, agonias sem fim. Precisava desse passaporte para o mundo.

A mãe então programou uma longa viagem, que os meninos pudessem visitar o país e lugar de onde saíram, contatar sua origem. A mãe tinha as informações, e soube percorrer tranqüilamente as veredas que os levaram de volta à favela, com a opção de aí permanecer caso fosse sua decisão. A mãe de coração livre para amar o filho de qualquer jeito. Amor plural. Jamais ela afirmara qualquer sinal de rejeição da mãe natural.

A questão social fora o motivo. M perdera a mãe ao nascer, ficara sozinho.

R fazia parte de uma longa história, em que nem o pai ele poderia saber ao certo quem era. Mas poderia ver a mãe, uma batalhadora das noites de algum lugar desse país.

No retorno ao lar, os meninos se aquietaram, começaram um novo circuito de definições, de escolhas. Vieram os namoros, as paixões, as descobertas sexuais.

Atualmente, ambos estão independentes, cada um em país diferente, senhores de seus destinos, e no contato com os pais que os adotaram plenamente, praticam o amor, o respeito, a liberdade, a sinceridade e grande nobreza.

Recentemente, M teve uma paixão maluca, a namorada engravidou e ele se viu na dúvida quanto à validade de um casamento não desejado pelos dois jovens. Prontamente, M assumiu a criança, tomou todas as providências para que no futuro possa desempenhar o papel de pai, a contragosto da mãe-menina, em jogo de chantagem, ameaça e destempero. Acontece ali como por aqui. Imaturidade gerando vidas.

A mãe continua amadurecendo, em contato com os dois amados filhos de seu coração. Amadurecendo e orientando quando alguma insegurança ameaça o bem estar dos filhos.

Feliz e nobre adoção!

"Se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de fazer! Nicholas Winton

Veja o vídeo incrível no Saia Justa

http://saia-justa-georgia.blogspot.com

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

HOMENAGEM a Carlos Drummond de Andrade

Além da Terra, além do Céu

Na passagem do aniversário do poeta, um de seus belos poemas: / Além da Terra, além do Céu, / no trampolim do sem-fim das estrelas, / no rastro dos astros, / na magnólia das nebulosas / Além, muito além do sistema solar, / até onde alcançam o pensamento e o coração, / vamos! / vamos conjugar / o verbo fundamental essencial, / o verbo transcendente, acima das gramáticas / e do medo e da moeda e da política, o verbo sempreamar, / o verbo pluriamar, / razão de ser e de viver. /

Carlos Drummond de Andrade (nascido em. Itabira, 31 de Outubro de 1902

— faleceu no. Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 1987). *******************

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VEM AÍ A BLOGAGEM COLETIVA:

ADOÇÃO, UM ATO DE NOBREZA!

sábado, 25 de outubro de 2008

ADOÇÃO, UM ATO DE NOBREZA!

AMIGOS, ESTE É UM CONVITE, EM EXTENSÃO AO GESTO DE DÁCIO E GEÓRGIA PARA UMA BLOGAGEM COLETIVA ENTRE 1o e 15 DE NOVEMBRO, COM O TEMA ADOÇÃO. APROVEITEMOS O MOMENTO, PARA APROFUNDAR O ASSUNTO, QUE A TODOS NÓS HUMANOS TOCA E SENSIBILIZA. O SELO ESTÁ NO BLOG Chega mais e no Saia Justa. Vamos fazer nossa parte somando com amigos, na reflexão e ação.

domingo, 5 de outubro de 2008

CIDADE & DIGNIDADE

Caminhar em Gran Canária revela o tratamento cuidadoso que é dado à cidade, sua estrutura e funcionamento. Pode – se circular tranquilamente na cidade, nos bairros, nos campos. Vocês acreditam? Então, voltemos: em Gran Canária pode-se caminhar, circular com tranqüilidade. Não digo distraidamente, mas com segurança sobre as calçadas, transitar sem atropelos. Quem empurra o carrinho com seu bebê vai tranqüilo, o espaço está garantido. O homem ou mulher de muletas pode seguir em paz, tem espaço e tempo para a travessia segura. As calçadas são planas, padronizadas pelo Estado, largura e altura têm dimensões funcionais. Nada de rebaixamentos a torto e a direito. Sabemos que em nossas cidades brasileiras, todas por onde passei, as calçadas são vergonhosos exemplos de indignidade. Cada um faz a calçada como quer, da largura que lhe dá na telha e na altura que resolva, com rebaixamentos diante das garagens ou entrada das residências, de tal forma que o olho mais atento pode perder o detalhe do degrau-sobre-calçada e ir parar no hospital de traumas, sabe Deus com qual estrago!... Voltemos: em Gran Canaria bem como nas outras ilhas do arquipélago, os cuidados que aparecem com a estrutura da cidade são expansões da atenção com os cidadãos, moradores ou visitantes. A sinalização está presente em todas as vias públicas, além de que um tratamento paisagístico com jardins e esculturas nas rotundas transmite ao transeunte um verdadeiro orgulho por fazer parte da cidade. As esculturas retratam o estilo de vida, o trabalho, a origem do povo canário, a vida rural e seu labor cotidiano. Também as danças, lutas e motivos folclóricos. Posso citar dois casos que confirmam o cuidado com a cidade e homem: 1. Pela proximidade com o continente africano, é comum que vizinhos façam a travessia mar adentro e aportem em uma das ilhas. Haveria de se esperar aqueles processos de expulsão que são feitos em outros países (!) Pois ali é diferente: os “ayuntamentos” providenciam a inscrição dos imigrantes, com foco nas crianças, para evitar que se tornem marginalizadas. E encaminham o caso para os centros de trabalho, evidentemente com controle para que não entrem no campo das inconveniências migratórias. Trabalhar é a palavra de ordem, todos precisam trabalhar: do contrário, quem bancaria a escola, os centros de saúde, os hospitais públicos de ótima qualidade, os medicamentos, a estrutura da cidade? 2. Pelo clima tropical, o turismo permanente atrai muita gente proveniente do clima frio, alemães, finlandeses, franceses, etc. São casais de idosos que fogem da neve ou aposentados em busca de repouso com qualidade. Enquanto o frio maltrata seus países, eles se refugiam em hotéis da orla, onde a beleza inigualável das paisagens de mar e montanha preenchem seus dias. Então, ocorre comumente de casais chegarem de muletas ou cadeiras de rodas aos hotéis onde se tornaram clientes ao longo dos anos. E declaram que preferem morrer no calor das ilhas, do que se entregarem ao frio que os deprime. Como os hotéis sabem disso, muitos deles procuram se estruturar pra dar ao visitante a possibilidade de terem verdadeiros SPA em seu interior, com TALASSOTERAPIA, com acompanhamento de fisioterapeutas, enfermagem, atendimento médico e mesmo uma alimentação adequada à condição de idoso ou em tratamento médico.
Podemos afirmar que o cidadão canário conhece bem o potencial de sua cidade, e procura corresponder ao tratamento que lhe é dado em todos os setores públicos e privados, reforçando sua dignidade. Fica uma perguntinha: Quando será que nós saberemos cobrar da edilidade e câmaras municipais a consideração que têm obrigação de ter conosco, cidadãos que os elegemos para cuidar da cidade? Quando será que tomamos fôlego e exercitamos nossos direitos plenamente? Podemos aproveitar a chegada dessa leva de vereadores e prefeitos e exigir A CIDADE COM DIGNIDADE de norte a sul do Brasil.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

CHEGANDO

Amigos, Cheguei bem, graças a Deus! De Gran Canária, a experiência forte e viva, da convivência familiar, da paisagem rochosa, da alegria dos habitantes e seus desafios: transformar o meio amgiente rochoso em verdejantes e floridos bosques e jardins; assegurar qualidade de vida e sustentabilidade para todos os habitantes; tornar a vida possível em todas as suas dimensões. E ao mesmo tempo praticar o acolhimento, a esperança, a alegria.
A ilha aproxima, nutre seus filhos de um espírito de amizade e grande amor à terra. Os Guanches lembrados pelos desenhos recuperados pelo Patrimônio, dão sinais de sua longa presença na História das ilhas.
Mas, como acontece entre todos nós humanos, o fatídico vôo da SPANAIR que resultou no acidente desse agosto, em Madri, causou consternação geral em Gran Canária, pela perda de 79 habitantes da ilha - entre 159.
Gran Canária chorou. A solidariedade marcou aqueles dias como nunca se poderá esquecer: o silêncio nos mercados, no comércio, nas escolas, nos hotéis, por toda parte se viam rostos marcados pela dor, fosse de um vizinho ou do conhecido do primo, do amigo dos noivos que voltavam de sua lua-de-mel, para sempre interrompida.
Assim, embora a viagem tenha sido nutrida de muitas alegrias, preciso registrar a agonia da gente canária. Por respeito e admiração.
Agradeço a Deus meu retorno sã e salva, e todas as experiências de que desfrutei nesse tempo. Para cada um que visitou este blog, mantendo vivo nosso elo, meu abraço de ternura e meu muito obrigada!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

EM GRAN CANARIA de novo

Amigos, Estou em visita aos familiares em Gran Canaria, o sol ilumina a ilha, das 6 horas até 21 horas, e portanto o fuso horário me deixa um tanto fora do compasso normal. Admirar esse povo com tanta garra pra superar os limites impostos pela natureza... um grande programa, aliado ao carinho das filhas, netos e genros... Que maior alegria? Beijos a todos vocês, e logo que retorne tenho algumas histórias para nos divertirmos.... Em defesa de nossa vida plena neste Planeta! Ceci

segunda-feira, 23 de junho de 2008

MESTRE PIRRALHINHO

Fui conferir e curtir o programa cultural dos festejos juninos. A prefeitura teve a sabedoria de prestigiar os artistas locais, grupos folclóricos, as expresões populares. Aqui, como em Campina Grande dá gosto ir pra rua brincar. Porque houve um tempo em que se perdeu este gosto, tanta desconfiança nos olhares e corpos rígidos, agora a alegria está de volta, caminho de saúde e felicidade. ******************************************** Pois foi ali que me deparei com o Mestre Pirralhinho, um homenzinho de menos de metro e meio, no entanto um gigante comandando o Boi Estrela do Norte, na apresentação na praça São Pedro: dançarinos exímios, incansáveis, vibrantes, contagiantes. As figuras de Pai Mateus, o boi, o amo do boi; Margarida e Jaraguá (pássaro mítico), enormes bonecos, tudo encadeado, e muito animado. Sim, prestigiaram os caprinos, com uma cabra engraçada a dançar antes do boi. Não havia como ficar passivo diante de tanta alegria. Além dos dançarinos adultos, um menino de cerca de 7 anos dançava sem parar, no centro da apresentação, aprendendo a arte de brincar o boi, encantando as crianças da platéia, todos querendo imitar os passos e postura de príncipe da brincadeira. Parabéns à comunidade bairro dos Novaes, em Cruz das Armas. Felicidade, é o nome da programação do Centro Histórico, nutrindo a alma brincante dos paraibanos.*********************************************************************