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sábado, 18 de abril de 2009

SER ÍNDIO

Uma homenagem aos ancestrais *** de todas as etnias indígenas, representadas pelos Potiguara.

Ser ou não ser índio, branco ou mulato nesse planeta de cinzas Ser ou não ser? Diplomas, decretos, papéis impedem o sabor do homem desdentado em busca do tempo passado

Saberes sem conta esquecidos no mato

para sempre perdidos?

Ser ou não ser...

Como ser índio

Amar a terra, o ar, a água,

Sem perder-se nos vulcões? Em dança redonda* entoam o canto a Tupã

Flauta, tambores, maracas, animam o passo

dos pés descalços unificados

na beleza do toré*

a flauta lamenta seu desterro

enquanto a alma mergulha

em lembranças ancestrais

debaixo do céu de estrelas.

Ser valente, ser da terra irmão

Ser Potiguara filho de Tupã Akajutibiró! Akajutibiró!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

HOMENAGEM

Este poema está gravado no muro, ao lado de uma pracinha, em Garanhuns, Pernambuco, junto ao painel desenhado por Armando Rocha.

Inicio 2009, com esse registro, e ao mesmo tempo, convido os leitores que encontrarem textos interessantes nos muros, deixem recado, que vou acolhêr com prazer, neste cantinho:

Uma canção para Garanhuns

Murilo Matos

Resplende na terra, num vale virente

A clara nascente do Paratagi,

E o grito da seiva que explode na serra

Atrai o quilombo e o cariri.

Do audaz sertanista os passos ressoam

E alcançam o vale dos bravos Unhanhuns:

Os sangues se mesclam e os campos povoam

Então tu nasceste assim, Garanhuns.

Garanhuns,

Canta alegre a canção que tu és;

Que da paz sejas sempre cenário,

E teus filhos, do amor os lauréis.

Canta forte a canção da nascente,

Que fecunda teus vales, teus montes;

Esta mesma canção que da gente

Jorra como as águas das fontes.

Do herói bandeirante tu foste pousada,

Refúgio de negros nos teus alcantis.

Dançaste o toré e fizeste toada,

Promessas, macumbas e ouricuris.

Ó bela Simoa, teus filhos conclama

E lembra teus feitos desde o alvorecer...

A voz que bem alto teu nome proclama.

Exulta no hino do teu florescer.