domingo, 30 de setembro de 2007

EM VIAGEM (3)

A TRAGÉDIA Uma tragédia se abateu em Gran Canaria neste agosto 2007, enquanto estávamos ali, Fomos alertados pela notícia de fogo na reserva florestal que apenas havíamos vislumbrado do terraço do Tagoror... Vi lágrimas correrem nos olhos canários, apaixonados pelo patrimônio natural de sua pátria. Entendi depois como tudo se passou. Gran Canária é montanhosa, os vales numerosos, a reserva se concentra no centro da ilha e no verão é natural que muitas plantas secas estivessem vulneráveis ao fogo. Um louco em seu desvario riscou um único fósforo, o fogo começou em um vale, logo se formou um corredor de labaredas que se espalharam rapidamente pela reserva. Os esforços de todos os setores públicos não bastaram para deter a onda de fogo, que se transmitiu a outras ilhas, provavelmente pelo vento ou também provocado. Foram mais de vinte mil hectares queimados, cerca de 1/3 das reservas de Gran Canária, afetando 20 % dos espaços vitais, durante cinco dias. Perderam-se 30 (ou mais) espécies de fauna e flora endêmica. Ao atingir o Los Palmitos Park, um super zoológico da ilha, o fogo consumiu a maioria dos animais e vegetais, 65%. Aí, foi demais a tristeza que se abateu sobre a população das comunidades. Passado o fogo, fomos visitar as áreas afetadas: São Bartolomeu, Tejeda, Mogán, Santa Lucia e São Nicolau. Uma visão de trevas, infernal, vales queimados, cinzas por toda parte, sinais do que foi, uma dor em nós, por tanta destruição, enormes palmeiras tornadas cinza. Como assumiu o periódico ISLA 21: “É preciso que Canárias conte com os meios necessários para enfrentar uma catástrofe natural de tal porte, com total garantia de segurança. ... com os montes ardendo em Gran Canária, Tenerife e La Gomera, ficou patente a falta de meios contra incêncio para uma atuação mais rápida, onde se produza o incêndio. Tenhamos em conta que o tempo transcorrido entre a tomada de decisões e o traslado dos meios pertinentes da Península é decisivo e pode ser fundamental na hora das determinações” “Vêm à nossa memória, inevitavelmente, aqueles antigos “camineros” que andavam por nossos montes e eram encarregados de velar pela sua conservação e limpeza. Agora uma política ecologista mal encaminhada e desacertada, tendendo a uma superproteção de nossos montes, está contribuindo para materializar justamente aquilo contra o que se lutava. Como sempre, temos a triste sensação de que sobram autoridades, mas faltam responsabilidades. LÁ COMO AQUI : LEMBRAR DO QUE OCORRE NA AMAZONIA, NO CARIRI, OU NAS RESERVAS INDÍGENAS.

5 comentários:

Jota Effe Esse disse...

Aprendamos a lição e comecemos a fazer a nossa parte, sem esperar o governo, porque ele dorme em berço esplêndido e não se sabe até quando. Beijos.

Dora disse...

Ceci. Então, tanto lá como aqui, o Homem continua sendo o responsável pela destruição da natureza!
Fiquei impressionada com a dimensão da tragédia! E com suas conseqüências.
Enfim, o alerta serve para quem está atento à importância da preservação ecológica...Mas, se nada se pode fazer, em termos de operacionalidade, pelo menos, vc forma nossa cosnciência de que há "urgências" e de que devemos procurar maneiras outras de saná-las...
Eu sempre aplaudo seus textos de denúncia.
E deixo-lhe um abraço.
Dora

Crys disse...

Nossa amiga, que tristeza! O homem por si só se destrói, e atinge todos ao seu redor. Infelizmente acontece e pouco se tem feito pra reverter a situação. Meu beijo Ce. Saudades de vc!

clarice ge disse...

Estes incêndios causam estragos quase que totalmente irrecuperáveis a fauna e a flora. Saber que o que foi preservado com tanto esmero pode ser destruído em pouco tempo por um descuido, é uma lástima. Será que o homem tem cura?
Que narrativa maravilhosa estes tres textos Ceci.
Beijos querida

Saramar disse...

Oiiii...
Cadê você?

beijos, saudades.